Lauro Müller

Endereço:

Itajaí, Santa Catarina
Brasil

Descrição

Lauro Severiano Müller (Vila de Itajaí, Província de Santa Catarina, 8 de novembro de 1863 —Rio de Janeiro, Guanabara, 30 de julho de 1926) foi um militar, engenheiro, político e diplomata brasileiro.
A família Müller fazia parte do primeiro contingente de imigrantes alemães que se fixou na colônia de São Pedro de Alcântara em 1829. O avô, Johann, de origem camponesa, recebeu um lote colonial, explorado por ele e seus filhos menores; portanto, Lauro Müller era filho de um colono. Mas seu pai, Peter, abandonou a atividade agrícola para trabalhar como embarcadiço nos barcos que faziam a linha Desterro (Florianópolis) - Itajaí. A mãe, Anna Michells, era filha de outro colono da primeira leva de imigrantes, que havia se retirado para Itajaí, onde abriu uma casa comercial. Após seu casamento, Peter Müller mudou-se para Itajaí, onde também ingressou, com o irmão, na atividade comercial — escolha lógica para estabelecer uma casa comercial, pois era o lugar para onde convergia a maior parte da produção agrícola e manufatureira do Vale do Itajaí.
Sua educação foi ministrada pelo professor público Justino José da Silva. Depois frequentou a escola alemã de Itajaí e mais tarde foi aluno do professor alemão Bruno Scharn, em Blumenau.
Com 14 anos incompletos o pai quis fazê-lo agrimensor, mas ele preferiu seguir para o Rio de Janeiro por causa da presença ali de um tio, onde se empregou numa casa de ferragens na Rua do Teatro. Convivia com os livros nas horas de lazer. Seu tio Leopoldo Riegel, notando-lhe o gosto pelo estudo, matriculou-o no Liceu de Humanidade de Niterói.
Em 28 de fevereiro de 1882 matriculou-se na Escola Militar de Praia Vermelha. Estudou engenharia e formou-se alferes em 1885, segundo-tenente em 1889, primeiro-tenente em 1890, major em 1900, tenente-coronel em 1906, coronel em 1912, general-de-brigada em 1914 e general-de-divisão em 1921.
Promovido a Tenente Engenheiro Militar em 1889, entrou na Escola Superior de Guerra, aderindo então às ideias republicanas de um dos seus professores, Benjamin Constant. Servia como ajudante-de-ordens do marechal Deodoro da Fonseca por ocasião da Proclamação da República [4] , e por indicação de Constant foi nomeado governador provisório da província transformada em Estado de Santa Catarina.
Sua administração, embora curta, foi extremamente hábil e proveitosa. Não demitiu ninguém e, sem traumatismos, fez adaptarem-se ao novo regime todos os serviços públicos.
Renunciou ao mandato de governador de Santa Catarina para a 24 de agosto de 1890 retornar ao Rio de Janeiro a fim de assumir o cargo de deputado da Assembleia Nacional Constituinte. Foi ele quem na sessão de 22 de dezembro de 1890 da Câmara Federal apresentou uma indicação, subscrita por 80 deputados, para a inclusão da mudança da Capital Federal para o Planalto Central, onde o governo mandaria demarcar 400 léguas quadradas para o Distrito Federal.
Cumpriu três mandatos de deputado federal, de 1891 a 1899, e outros cinco de senador, até 1923.
Em 10 de novembro de1891 reassumiu o governo de Santa Catarina onde já atuavam as forças que resultarão na Revolução Federalista. Teve que renunciar ainda no mesmo mês, em 28 de novembro de 1891. Na realidade estava sendo deposto pelos federalistas em potencial, e teve de se ocultar, a fim de não sofrer violências. Em 1893, no auge da revolução, combateu à mesma junto com Hercílio Luz e Filipe Schmidt. Retomada a capital de Santa Catarina, em 17 de abril de 1893, pelas forças legais da república, inaugurou o governo republicano em Santa Catarina tomando os rumos de sua política até falecer.
Em 1918, voltaria a se eleger governador de Santa Catarina, dentro da composição política para manter as forças republicanas no estado. Sendo eleito pelo voto direto, no entanto, renunciou, possibilitando a ascensão de Hercílio Luz como governador, já que o mesmo era seu adversário no próprio partido e a segunda maior força política catarinense. Fez-se constar em ata que Lauro Müller não assumiu porque deixou de prestar juramento ao cargo por não haver comparecido.
Voltou ao senado até 1923.
Faleceu no Rio de Janeiro a 30 de julho de 1926.