Geci Geltrudes de Oliveira Casagrande

Endereço:
Santa Rosa do Sul
Santa Rosa do Sul, Santa Catarina 88.965-000
Brasil

Descrição

A mulher e a terra um encontro nada casual.

Todos sabem muito bem que Geci Oliveira não é natural da região, mas sim de Santo Antonio da Patrulha, cidade gaúcha que faz limite com Osório e está a menos de 100 km de distância de Porto Alegre. Curiosamente a mesma distância que a separava de Santa Rosa do Sul em Santa Catarina. Entretanto alguns anos se passariam até que ela viesse colocar seus pés na terra prometida. Haveria antes de ir a Tubarão. Mas isso ainda é outra história.

A 08 de julho de 1947 o casal Tolentino Ramos Oliveira e senhora Leoncina Pinheira Oliveira lançavam o primeiro olhar para a filha Geci em seu primeiro dia de vida. Nem de longe suspeitavam o destino brilhante que viria envolver a pequena menina que chamava a atenção de todos com o seu choro. A menina foi crescendo sob os olhares atentos de seus progenitores. Ao atingir seis anos de idade, em função de interesses familiares se transladam para a cidade de Tubarão em Santa Catarina. Pode-se imaginar o desvelo de sua mãe conduzindo a pequena filha, toda tímida, para o primeiro dia de aula na Escola Estadual Luiz Pedro Oliveira para iniciar sua alvorada educacional. Mais tarde concluiu o ginasial no Colégio São José ainda na cidade azul.

A vida impõe suas dificuldades, mas com muita habilidade - aquela moça - filha de agricultores – ingressa na vida profissional única forma de garantir a continuidade de seus estudos. Ela tinha algumas ambições pessoais e sabia que preparar-se bem, seria de grande valia e conclui o Curso Técnico em Contabilidade na Escola Comercial no município de Torres (RS). Naquele período já militava a favor dos estudantes na condição de líder de classe.

Depois de formada atuou por mais de 20 anos na área contábil já como residente oficial da cidade que ainda haveria de governar. Em meio às naturais tribulações da vida, momentos de felicidade e regozijo, como na ocasião em que se une pelos laços do casamento com o advogado e empresário Luiz Gonzaga Casagrande. Cumprindo seu papel de mãe, ela e Luiz; dividem equitativamente todas as responsabilidades pela orientação e em caminhamento de dois de seus três filhos: Márcio e Júnior de Oliveira Casagrande. Infelizmente Alexandre o primogênito não permaneceria entre nós por muito tempo.

Geci Oliveira Casagrande viveu como intensidade os momentos de dureza e enrijecimento impostos pelo regime ditatorial de 31 de março de 1964 e jurou a si mesma perfilar ao lado dos militantes políticos agremiados ao legendário MDB – Movimento Democrático Brasileiro que aglutinava todas as tendências de esquerda nos anos subseqüentes ao golpe – para restaurar a liberdade democrática estendida a toda nação.

Sua primeira atuação político partidária foi surpreendente. Conhecida militante aguerrida pela emancipação do distrito de Santa Rosa do Sul do domínio de Sombrio; lança sua candidatura para uma cadeira no Parlamento... E se elege. Ela se torna a primeira representante feminina a alcançar tal feito no município de Sombrio vindo ser eleita com todas as poderosas credenciais de seus 366 votos – tornando-se também a mais votada daquele pleito.

Surpreendente?

Isso não é tudo. A surpresa maior ainda estaria por vir. Foi assim que aconteceu:

Logo após sua eleição foi também confirmada a conquista da tão sonhada emancipação, então o que faz nossa parlamentar? Simplesmente renuncia seu cargo público e decide participar das eleições de Santa Rosa do Sul marcada para o dia 16 de abril, pois nutria o desejo de compor a 1ª Legislatura da História da Câmara Municipal de Santa Rosa. Recebeu total respaldo popular por sua iniciativa. A mulher não é fraca e veio totalizar 220 sufrágios para o mandato compreendido entre 1989 e 1992 sendo eleita também como a primeira presidente da Câmara Municipal .

Quem acreditasse que seus planos na política já estavam se esgotando se surpreendeu novamente. No pleito de 1992 lança novamente seu nome e alcança a reeleição para vereadora com um número ainda superior de votos denotando autêntica liderança.

Geci é na verdade dessas pessoas à qual devemos estar sempre perguntando: Qual é seu próximo desafio? Em 1996 ela respondeu assim: Quero ser Vice Prefeita. Desafio é seu estimulo para tudo o que realiza. Foi aceita pela convenção do partido e compôs a chapa majoritária com José Aquino Isoppo. Ele mesmo, o primeiro prefeito da cidade de Santa Rosa. Apesar de tudo compilar a favor - eleição fácil não existe. A dupla batalhou muito para sagrar-se vitoriosa com seus 2797 sufrágios.

O objetivo foi conquistado. Missão cumprida. Vamos para casa. Ainda não. Apesar do bom governo realizado pela dupla Isoppo/ Casagrande, o PMDB não conseguiu reeditar as eleições anteriores e sofreu uma derrota histórica no pleito realizado no ano 2000. Apesar de ter levado as três eleições desde a emancipação do município, uma derrota não era contabilizada pelo partido.

Em 2004 ressurge a guerreira da “emancipação já” de Santa Rosa do Sul, que escolhida juntamente com o candidato a Vice, Nelson Cardoso de Oliveira; deveriam fazer a virada política recolocando o PMDB na direção administrativa da cidade. Nova e empolgante disputa traz Geci à vitória com boa diferença de votos, mostrando toda sua força política para seu primeiro mandato sagrando-se historicamente a Primeira Prefeita de Santa Rosa do Sul.

Legal. Agora sim podemos fechar com chave de ouro.

Ledo engano. Fruto de um mandato ordeiro que trouxe mais desenvolvimento para o município, focando prioridades na área do desenvolvimento agrícola, educacional, saúde e procurando dar forte impulso ao turismo; é reconduzida à Prefeitura no pleito de 2008 – com a quantidade de 2787 votos - no qual, juntamente com o Vice Prefeito Geovano Candido Gomes têm feito um excelente trabalho de aceleração do crescimento.

Tais não fossem tantos atributos advindos de seu cargo de Chefe do Poder Executivo, suas obrigações pessoais como esposa, mãe, avó e amiga, foi eleita a 27 de fevereiro de 2007, para assumir a Presidência da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC) para liderar – conforme suas próprias palavras - 14 homens de sucesso numa região bastante promissora.

É bem possível que - mesmo ao término de seu segundo mandato como Prefeita de Santa Rosa do Sul - sua vida ainda não encontre a aposentadoria tão desejada, visto como em outros momentos de sua carreira, os quais por suas características e idéias visionárias - fora convocada para uma nova missão. Missões às quais talvez nem tivesse tido sequer a oportunidade ou mesmo o direito de dizer não diante o novo desafio, venha assumir quem sabe, novas responsabilidades para elevar ainda mais o nome da cidade à qual devotou tanto amor. O amor de sua vida.