Antonio Acordi

Endereço:

Ermo, Santa Catarina 88.935-000
Brasil
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Descrição

Subimos o morro em direção à Vista Alegre. Este é um dos poucos lugares do município do Ermo em que a altitude fica bem além dos 38 metros acima do nível do mar, como na maior parte de seu território. Deixamos para trás o primeiro aglomerado de casas, rumo à residência dos Acordi. Mais alguns minutos e já batíamos à sua porta. Quem nos recebe é o próprio senhor Antonio Acordi que nos permite entrar. Nosso assunto já era de seu conhecimento e após as apresentações fomos logo invadindo o seu cabedal de conhecimento histórico sobre os principais fatos de sua vida e um pouco da história do município.

Nascido a 10 de maio de 1940, nos conta que é o mais velho dos dez filhos de Abel e Cecília Fontana Acordi, descendentes de duas importantes famílias de imigrantes italianos. Em suas peregrinações ao passado lembra que os antepassados de seu pai, vieram saídos da Itália, chegar ao Brasil em 1877, descendo de barco até o porto de Laguna e seguindo posteriormente para Azambuja. Já os Fontana, antepassados de sua mãe, vieram na segunda leva de italianos que aportaram no Brasil alguns anos depois.

Sua vida foi toda dedicada a cuidar das terras que seus pais adquiriram com muito trabalho e sofrimento; e como suas atividades eram a exploração da agricultura logo cedo percebeu que o trabalho é o mais importante instrumento de auto-suficiência para manter a família unida. Desde pequeno aprendeu a sustentar o arado e da agricultura vive até os dias de hoje.

Para colocar os produtos da lavoura no mercado de toda região a família veio adquirir seu primeiro caminhão. Era um Ford 59, que ajudava a escoar a produção de suas terras bem como de outros fazendeiros que também plantavam para vender seus excedentes. Antonio dirigia prazerosamente apesar da precariedade das estradas. O Departamento de Estradas de Rodagem DER, na administração do Governador Celso Ramos em 1965 construiu a ligação entre os municípios de Jacinto Machado e Sombrio. Em meados dos anos cinqüenta foi instalado no encruzo entre as estradas que cortavam a localidade, unindo os municípios de Turvo, Jacinto Machado e Araranguá um posto de gasolina bem em cima da rótula, cuja bandeira era da Texaco e pertencia ao empresário Artur Becker. Esse fato tornava o Ermo num ponto estratégico de importância regional, porque se tratava do único posto de gasolina numa enorme região e trazia uma tecnologia bastante avançada para a época se recorda seu Nico.

Com o desenvolvimento das lavouras logo vieram outros caminhões como o Chevrolet 71 comprado novo, um novo caminhão da marca Mercedes e tantos outros. Antonio se recorda que no auge da produção a família chegou a possuir oito caminhões simultaneamente; nas quais era o fumo, um dos principais produtos transportados; sendo o produto escoado de cerca de 500 estufas para as indústrias de Araranguá, Tubarão, em Santa Catarina e Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires no vizinho estado do Rio Grande do Sul.

O caminhão era um meio de comunicação e integração social e servia até para levar moradores a outras localidades, pacientes para os hospitais da região, trazer policiais e até levar bandidos para os presídios da região. Chegou até a transportar o famoso sanfoneiro João Luiz Paulino, que utilizava desse meio de transporte para chegar a outros locais para animar as festas mais tradicionais.

Naqueles tempos abundava a madeira e os Acordi implantaram uma das primeiras serrarias da região ocupando desta forma todos os componentes da próspera família que prosperava com o trabalho. No tempo de seus pais a madeira era cortada com os legendários aparadores, um tipo de serra com duas empunhaduras onde dois homens cada um numa ponta cortavam as copadas das árvores com movimentos sincronizados. Parte da madeira cortada atendia as indústrias mobiliárias, outra parte ia para a construção de casas e o restante era utilizado como lenha.

Antonio Acordi foi três vezes presidente da diretoria da APP da Escola Isolada da Vista Alegre, cujo terreno (uma boa extensão de terras) foi uma doação feita pelo pai ao governo municipal. Em 1965,pela primeira vez, foi Presidente da CAEP da Capela de São Liberal, tendo sido posteriormente mais três vezes presidente da entidade religiosa. O fato curioso que ronda a construção dessa capela – que é considerada por muitos fiéis a mais bela igreja do Ermo – é a imagem que adornou o altar do santuário até os anos 2004. Eis que a imagem do Santo doada pelo senhor Luiz Possamai não era exatamente a de São Liberal, mas sim a imagem de São Francisco que por décadas ali permaneceu em seu lugar. Acompanhados pelo Padre Valmor Della Giustina da Paróquia de Sombrio, seu “Nico” como carinhosamente é conhecido por amigos e familiares, juntamente com a esposa viajaram para a Itália, numa viagem, misto de turismo e missão religiosa, aportaram em Milão dirigindo-se posteriormente à cidade de Treviso, donde junto a fontes religiosas no lugar conseguiram mais informações sobre São Liberal e adquiriram até uma pequena estatueta de bronze do santo, que serviu de modelo para a confecção de uma imagem com cerca de um metro e vinte de altura para ser definitivamente colocada em seu lugar junto ao altar da Capela da localidade de Vista Alegre. O nome Antonio Acordi ainda seria lembrado para ser candidato para a Vice-Presidência da CERSUL – Cooperativa de Eletricidade Rural – com sede em Turvo; no ano de 1976 que tinha como candidato à Presidência o senhor Elizeu Manenti

O Sindicato de Trabalhadores Rurais do Turvo também foi criado e impulsionado com seus esforços, apesar de nunca ter composto sua diretoria, sempre buscou de todas as formas colaborar com a entidade.

Em meio a tanta informação uma data é muito preciosa e atrai a atenção de toda sua família até os dias atuais: 29 de junho de 1963, quando se uniram pelos laços matrimoniais Antonio Acordi e Tereza Serafim. O casal deu origem a uma harmônica família cujos filhos: Márcia Anita, Alberto Tadeu, Maria Cecília, Margarete, Adalberto, Alexandre e Abel Antonio; são exemplo de uma vida de dedicação aos valores morais e educacionais, qualidades plantadas com muito amor e dedicação pelos seus pais. Um de seus maiores prazeres é ter proporcionado a cinco de seus filhos a oportunidade de terem ingressado e concluído seus cursos na Universidade.

Nos anos cinqüenta o saudoso Abel Acordi, já era membro do Diretório do PSD no município do Turvo. A tradição partidária foi acolhida por todos os membros da família, entretanto um fato ocorrido nas eleições de 1972 fez com que o filho Nico rompesse essa tradição, porque ele era terminantemente contra a criação de duas chapas dentro do mesmo partido – Arena 1 e Arena 2 – para a disputa daquele pleito. Segundo ele, não havia sentido um partido político dar essa demonstração de ambição pelo poder e por isso migrou para o partido de oposição MDB, vindo filiar-se em 1973.

Apesar de muito entusiasta, Antonio não dispunha de tempo suficiente para a política de carreira, mas incentivou o irmão Anselmo a se candidatar para as eleições majoritárias de 1976, na qualidade de Vice-Prefeito, pelo município de Turvo. Em 1982, Anselmo havia se candidatado para as eleições do município concorrendo como candidato a Prefeito sendo considerado o nome mais forte entre os candidatos. O fato é que o PMDB havia lançado três chapas para concorrer contra duas chapas do PDS. O candidato que fosse o mais bem votado do partido e das eleições seria conduzido a Prefeitura. Nesta oportunidade venceu o candidato do PMDB Adoaldo Otávio Teixeira com Altamiro Schmidt como vice-prefeito.

Ao término do mandato em 1988, Anselmo Acordi era o mais forte nome natural do PMDB para concorrer às eleições daquele pleito. Contudo alguns descontentes com essa possibilidade promoveram algumas manobras promovidas dentro do diretório do partido que acabaram por tirar Anselmo da disputa.

Na verdade o que ocorreu naquele ano eleitoral de 1988; é que tanto o diretório como populares optaram por fazer uma prévia em função de que a outra parte do partido havia apresentado outro pré-candidato. A experiência de Antonio Acordi dizia para que o irmão discordasse de se fazer a tal prévia porque temia que alguma força oculta viesse novamente tirar o irmão Anselmo da disputa e solicitou veementemente que ele retirasse seu nome da prévia, mas o irmão, por uma questão de princípios, decidiu ir até o fim. Com o resultado negativo Anselmo se retira e ficou no ar a sensação de que o partido se desmanchava.

Antonio Acordi viu no inicio do mandato do Prefeito eleito Adoaldo Otavio Teixeira uma medida acertada. É que o prefeito fez circular pelo município um Micro Ônibus para levar os Estudantes às escolas fato que alegrou a muitos pais de alunos, principalmente os que moravam no distrito de Ermo. Pelo que se tem notícia o município de Turvo havia largado na frente de todos os municípios em todo país no quesito transporte de estudantes.

Todavia no decorrer do mandato do Prefeito Ari Pessi, prefeito do PDS eleito depois de Adoaldo, havia deixado muitos itens de atendimento às comunidades do Ermo a desejar. As máquinas da prefeitura já não faziam mais serviços regulares no distrito e a falta de implementação de infra estrutura deixava o Ermo aquém de suas necessidades, completamente perdido no tempo. Mas o fato que realmente iria mudar toda história das relações político administrativas entre o poder central e o distrito foi aquele mesmo que lá no passado trouxe tanta satisfação aos moradores do Ermo: é que o micro ônibus não vinha mais buscar os alunos para levá-los às escolas e isso irritou a todos principalmente o senhor Antonio Acordi. Foi naquele exato momento que ele se convencera de que a solução do Ermo passaria pela sua emancipação.

Em 1991, portanto, quatro anos depois, após muitas reuniões e contatos finalmente a Comissão de Emancipação foi criada, tendo sido o senhor Altamiro Schmidt colocado na presidência. Os tramites todos foram tomados e a 19 de setembro de 1993 foi realizado o plebiscito.

Antes porém houve um episódio inesquecível, lembra o senhor Antonio, que precedia a sessão na Assembléia Legislativa. Na verdade no dia da votação do plebiscito uma comissão liderada pelo senhor Osvaldo Manoel Neto – que era o vice-presidente – mais treze membros, foram a Florianópolis na Kombi do senhor Mário Pereira um dos grandes batalhadores da emancipação; para acompanhar a decisão da Assembléia Legislativa que aprovou a Lei por unanimidade. Eis que para compensar aquela vitória, a Kombi que trazia a comitiva de volta não chegou. Ficou em Imbituba porque o motor fundiu.

Outro fato curioso se lembra o senhor Acordi é que um dos quesitos para emancipação seria o número de habitantes. Em realidade se supõe que o Ermo não tinha aquele número de habitantes exatamente; mas ainda assim com muita habilidade, o advogado Heriberto Schmidt – ex-prefeito de Turvo – faz constar da documentação de que o Ermo tinha cinco mil habitantes e a emancipação foi aprovada por unanimidade. Desta forma o distrito se tornou município através da Lei 9402 promulgada em 29 de dezembro de 1993.

Bem, depois disso uma nova história vai ter inicio em 1996 com a pergunta que não queria calar: Quem vai ser o primeiro e histórico prefeito do Ermo?

Antonio Acordi se lembra muito bem do acordo feito para aquele evento. Lembra que o senhor Mario Pereira havia lançado a proposta de uma chapa única e que o candidato que pertencesse ao mesmo partido que o Governador de Santa Catarina deveria ser indicado para aprovação através do voto.

A reunião para decidir a validade da proposta foi realizada na varanda da residência do senhor Antonio que lembra que o clima era bastante tenso.

“Estávamos todos reunidos no terraço de minha casa e havia na verdade um nome já definido para ser a cabeça da chapa única para Prefeitura, este sendo Altamiro Schmidt. Representantes dos quatro partidos (PMDB, PPB, PFL e PDT)) se encontravam na reunião: Altamiro Schmidt, Osvaldo Manoel Neto, Milton Cadorim e o representante do PDT , José Bento Américo. O impasse era qual o nome a ser escolhido para ser o vice prefeito. O nome de João Moro foi o primeiro a ser cogitado. Os representantes do PPB queriam o senhor Osvaldo Honorato. O impasse estava feito. Tudo indicava de que iria haver um racha bem grande e já cogitavam o meu nome para vice na chapa do PMDB, mas não aceitei e me lembrei da prévia que tirou meu irmão das eleições de 1982 e optei pela conciliação; além disso não havia muito tempo para se apresentar nomes, porque estávamos a dois ou três dias da inscrição oficial da chapa, fomos buscar alternativa.”

Após serenarem os ânimos chegou-se à conclusão de que Altamiro Schmidt seria o candidato a Prefeito e Osvaldo Manoel Neto seria o candidato a Vice-Prefeito, sendo que onze nomes seriam indicados para compor os candidatos ao legislativo, da seguinte maneira: 04 do PMDB, 03 do PFL, 2 do PPB e 02 do PDT (dois nomes ficariam na reserva para suprir qualquer tipo de impedimento). E assim foi realizada a eleição onde o povo praticamente homologou os candidatos com 98% dos sufrágios.

Naquela eleição Antonio Acordi, o Nico, foi o terceiro vereador mais votado daquela eleição histórica contabilizando 167 votos.

Mais um fato pitoresco nos é revelado pelo entrevistado e se trata ainda das eleições do ano de 1996. Conforme suas lembranças, Antonio Acordi relata que havia um acordo entre os candidatos para que o Prefeito fosse do PMDB, o Vice-Prefeito do PPB e o Presidente da Câmara do PFL. A escolha do presidente para o primeiro biênio recairia em Joaquim Borges, mas Antonio Acordi preferiu indicar para seus companheiros de partido, que tinha quatro vereadores na Câmara, o nome de Marcos Leone Oliveira, o Marquinhos, que, segundo ele, estaria mais bem preparado para o cargo. Então aconteceu o fato inusitado em que o Presidente da Câmara acaba eleito sem que ele próprio votasse em si. Acontece que “Marquinhos” manteve a fidelidade e votou no companheiro Quincas e como não sabia do acordo do PMDB, porque naquele tempo a votação era secreta, foi surpreendido com o resultado que o colocou na Presidência da Câmara de Vereadores, com o voto do vereador Ranolfo Triches do PPB.

O senhor Nico, por todas as suas previsões e ações pode ser considerado o grande estrategista da época, porém por pura humildade não reivindica para si essa qualidade achando sim que Altamiro Schmidt foi o nome da década no que tange ao item estratégia.

Pelos acontecimentos mais importantes vividos pelo Ermo e da importância de suas ações, sempre se lembrou do irmão Agenor o “Doia” que muito havia feito pelo partido não somente nos episódios ocorridos no Turvo como também nos principais acontecimentos que levaram a emancipação ao Ermo e a sua primeira eleição. Em assim sendo apoiou o irmão para as eleições do ano 2000 e viu este conquistar com muita justiça uma cadeira junto ao Legislativo Municipal para bem representar o nome da família Acordi.