Aécio Neves

Endereço:

Belo Horizonte, Minas Gerais
Brasil

Descrição

Aécio Neves da Cunha (Belo Horizonte, 10 de março de 1960) é um economista e político brasileiro, filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira. Foi o décimo sétimo governador de Minas Gerais entre 1º de janeiro de 2003 a 31 de março de 2010. É senador da República pelo mesmo estado desde fevereiro de 2011.
Natural de Belo Horizonte, Aécio é graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. É neto do ex-presidente Tancredo Neves, com quem adquiriu suas primeiras experiências políticas. Em 1987, iniciou o seu primeiro mandato como deputado federal pelo estado de Minas Gerais, exercendo o cargo até 2002, totalizando quatro mandatos. Presidiu a Câmara dos Deputados no biênio de 2001-2002, renunciando ao cargo em dezembro de 2002, para assumir o governo de Minas Gerais.
Aécio Neves da Cunha (Belo Horizonte, 10 de março de 1960) é um economista e político brasileiro, filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira. Foi o décimo sétimo governador de Minas Gerais entre 1º de janeiro de 2003 a 31 de março de 2010. É senador da República pelo mesmo estado desde fevereiro de 2011.
Natural de Belo Horizonte, Aécio é graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. É neto do ex-presidente Tancredo Neves, com quem adquiriu suas primeiras experiências políticas. Em 1987, iniciou o seu primeiro mandato como deputado federal pelo estado de Minas Gerais, exercendo o cargo até 2002, totalizando quatro mandatos. Presidiu a Câmara dos Deputados no biênio de 2001-2002, renunciando ao cargo em dezembro de 2002, para assumir o governo de Minas Gerais.
Aécio foi eleito governador de Minas Gerais em 2002. Foi reeleito na eleição de 2006, tendo desta vez a maior votação já registrada no estado. Renunciou ao cargo em março de 2010 para concorrer ao senado federal, sendo substituído pelo seu vice, Antônio Anastasia. Nas eleições de 2010, foi eleito senador com a maior votação do Estado, assumindo a função normalmente. Em 2013 foi escolhido presidente nacional do PSDB, e, em 2015 foi reeleito.
Em 2014, foi candidato à Presidência da República por seu partido, tendo como principais adversários a candidata a reeleição, Dilma Rousseff, e Marina Silva. No primeiro turno da eleição, Aécio obteve 33,55% dos votos válidos, classificando-se para o segundo turno com Dilma, que obteve 41,59%. No segundo turno, conseguiu 48,36% dos votos, perdendo para Dilma Rousseff, que reelegeu-se na eleição mais disputada da história do país.
Aécio Neves da Cunha nasceu em 12 de março de 1960 em Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, sendo o filho do meio de Aécio Ferreira da Cunha (1927–2010) e Inês Maria Tolentino Neves Faria (1939–). Além dele, o casal teve outras duas filhas: Andrea, formada em jornalismo e sua principal conselheira, e Ângela, formada em história. Seu pai, Aécio Cunha, foi deputado estadual e federal por pouco mais de três décadas, presidente do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e ministro do Tribunal de Contas da União; ele foi filiado a partidos que deram sustentação e um entusiasta da ditadura militar. Sua mãe, Inês Maria, separou-se de Cunha e casou-se em 1984 com o banqueiro Gilberto Faria, fundador do Banco Bandeirantes e deputado federal pela ARENA. Inês Maria integrou entre abril de 1992 a maio de 1998 o conselho de administração do Banco Bandeirantes, que posteriormente faliu.
Nascido em uma tradicional família de políticos mineiros, é neto por parte de mãe de Tancredo Neves, personagem fundamental na redemocratização do país, presidente eleito do Brasil, primeiro-ministro do Brasil, governador de Minas Gerais, senador da República e ministro da Justiça do governo de Getúlio Vargas.[10] [11] Pelo lado paterno, é neto de Tristão Ferreira da Cunha, advogado e professor, que atuou como secretário de agricultura, indústria e comércio do governo estadual de Juscelino Kubitschek, e deputado estadual e federal.
Aécio viveu sua primeira infância na Savassi, um bairro nobre de Belo Horizonte, onde estudou no Colégio Zilah Frota. Nesta época, era chamado por parentes e amigos de "Aecinho". No início de 1972, mudou-se para um apartamento de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro, após seu pai decidir participar de um curso na Escola Superior de Guerra. O jovem garoto não teve dificuldades de adaptação na nova cidade e usufruiu o estilo de vida dos filhos da elite carioca. Como passatempos, gostava de surfar, jogar futebol e torcer pelo seu time, o Cruzeiro.
Em 1976, conseguiu sua primeira experiência de trabalho como vendedor em uma concessionária da FIAT. No ano seguinte, foi nomeado oficial de gabinete do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do qual seu avô Tristão integrava. Entre 1977 e 1981, período em que residia no Rio de Janeiro, foi designado secretário do gabinete parlamentar de seu pai na Câmara dos Deputados. Em 1979, concluiu o ensino secundário no colégio católico São Vicente de Paulo. Em seguida, escolheu estudar economia e ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Quando mudou-se para BH, transferiu-se para a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), e, em junho de 1984, graduou-se em economia. Academicamente, nunca foi muito apegado aos livros, e, como um colega seu relatou mais tarde, "na sala de aula ele não estava no grupo de melhores alunos, mas não ficava em recuperação, estava longe de ser dos piores também" e "[Aécio] sempre dava um jeito de passar."
Em 1981, na noite de Natal, Tancredo chamou Aécio e perguntou-lhe: "Você não quer largar a vida de surfista e conhecer direito a sua terra?". Sua vida política começou logo depois, quando ele tinha vinte anos. Nessa época o avô ligou para ele e disse: "É agora" e o convidou para participar de sua campanha eleitoral para o governo de Minas Gerais em 1982. Aécio então foi morar com o avô e o pai em um apartamento de BH. Ele participou de reuniões e comícios em mais de trezentos municípios mineiros. Tancredo foi eleito governador, e, em janeiro de 1983, Aécio passou a ocupar o cargo de secretário particular do avô no Palácio das Mangabeiras. Entre 1983 a 1984, presidiu a ala jovem mineira do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Nos anos seguintes, participou do movimento Diretas Já e da campanha de Tancredo à presidência da República. Antes disso, não havia participado de movimentos estudantis ou de outros movimentos contra a ditadura enquanto estudava no Rio. Aécio acompanhou seu avô em visitas a outros países, estratégia política utilizada para reforçar a transição da democracia no Brasil; eles estiveram com Ronald Reagan, François Mitterrand,Rei Juan Carlos, Papa João Paulo II, Bettino Craxi, Raúl Alfonsín, entre outros.
Quando Tancredo foi eleito pelo Colégio Eleitoral, foi nomeado pelo avô como secretário de Assuntos Especiais da Presidência da República. No entanto, em março de 1985, Tancredo adoeceu poucos dias antes da posse e José Sarney, o vice-presidente eleito, foi empossado temporariamente em seu lugar. Com a morte de Tancredo um mês depois, Aécio e todos os ministros e assessores nomeados por ele renunciaram para que o novo presidente pudesse escolher livremente a composição de seu gabinete.
Em 14 de maio de 1985, foi indicado diretor de loterias da Caixa Econômica Federal; o ato de nomeação foi assinado pelo presidente Sarney e pelo ministro da Fazenda Francisco Dornelles, primo de Aécio. No mesmo ano, a convite do Ministério da Educação e Cultura, chefiou a delegação brasileira no Congresso Internacional da Juventude, um evento realizado em Moscou, a capital da Rússia, onde também foi nomeado o presidente da Comissão do Ano Internacional da Juventude.
Em 1986, deixou a diretoria de loterias da Caixa Econômica Federal para ser candidato à Assembleia Nacional Constituinte na eleição de novembro daquele ano. A morte recente de Tancredo e a posterior comoção, especialmente entre os mineiros, ajudou Aécio na disputa eleitoral. Candidato pelo PMDB, recebeu 236 mil votos e foi o deputado federal de Minas mais votado daquela eleição. Aécio atribuiu sua vitória a uma "homenagem dos mineiros a Tancredo." Também na eleição estadual de Minas Gerais em 1986, seu pai foi o candidato a vice-governador de Itamar Franco, mas os dois foram derrotados pela chapa Newton Cardoso-Júnia Marise por 47–42%.
Em 1º de fevereiro de 1987, foi empossado deputado federal constituinte. Ao 26 anos de idade, era um dos deputados mais jovens. Durante as deliberações para a nova Constituição, que ocorreram até setembro de 1988, apresentou 46 propostas de emendas, e foi um dos autores da que instituiu o direito ao voto para jovens entre os dezesseis aos dezoito anos de idade. Como membro titular, integrou a Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher (também como primeiro vice-presidente em 1987), a Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais e a Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher. Também foi suplente da Comissão de Sistematização.
Entre seus votos como deputado federal constituinte, foi favorável à jornada de trabalho de 44 horas semanais, que foi aprovada, e apoiou o adicional de hora extra de 50%, que foi derrotado pela proposta de adicional de 100%. Defendeu o mandato presidencial de quatro anos para José Sarney, mas acabou votando a favor do de cinco anos. Foi contrário ao monopólio na distribuição do petróleo e ao sistema presidencialista, preferindo ao invés deste o sistema parlamentarista. Também votou a favor do direito de greve, da reforma agrária, do piso salarial, da aposentadoria proporcional e do salário mínimo real. No livro Quem foi quem foi na Constituinte, um ranking criado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) para medir os votos dos congressistas nas questões em que o órgão considerava como de interesse dos trabalhadores, recebeu uma nota média de 5,5 em uma escala de zero até dez pontos.
Em 1987, recebeu do presidente Sarney a concessão da rádio Arco-Íris, inicialmente sediada em Betim, mas depois transferida para Belo Horizonte. Oficialmente, no entanto, passou a integrar legalmente como sócio da rádio apenas em dezembro de 2010; além dele, Andrea Neves e Inês Maria também são sócias. Atualmente, a rádio é uma retransmissora da Jovem Pan FM. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo realizado no final do ano de 2014, as rádios Arco-Íris, São João Del Rey e Vertentes FM, todas controladas pela família Neves, receberam pouco mais de R$ 1 milhão do governo mineiro entre 2003 a 2014. Durante sua campanha presidencial de 2014, em relação a esta situação, declarou: "Na questão da publicidade, eu atendi a uma reivindicação do sindicato e das rádios do interior de Minas. Todas as mais de trezentas rádios do estado, sem exceção, tiveram exatamente a mesma publicidade. O meu governo segue aquilo que prevê a Constituição, o princípio da impessoalidade."
Em 30 de março de 1989, filiou-se ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que tinha sido fundado nove meses antes. Em retrospecto, afirmou, em um site oficial, que a mudança partidária era justificada "como uma forma de resgatar e defender a coerência ideológica de sua formação liberal e continuar a trajetória que seu avô, Tancredo Neves, havia iniciado."
Nas eleições gerais de 1990, foi reeleito deputado federal, mas como uma votação muito menor do que aquela obtida quatro anos antes. Desta vez pelo PSDB, conseguiu 42 mil votos e foi o deputado federal mais votado da sigla no Estado. Entre julho e setembro de 1991, no início do novo mandato, licenciou-se pela primeira e única vez em seus quatro mandatos para "tratar de interesses particulares". Ao longo de seu segundo mandato (1991–1995), fez parte, como titular, da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias e da Comissão de Relações Exteriores.
Em 1992, candidatou-se à prefeitura de Belo Horizonte. O então prefeito, Eduardo Azeredo, foi conduzido ao cargo após a saída de Pimenta da Veiga, ambos do PSDB, que renunciou para concorrer ao governo do Estado em 1990. Com Azeredo impossibilitado de concorrer à reeleição pela legislação eleitoral, seus principais adversários foram Patrus Ananias (PT), Maurício Campos (PL) e Sérgio Ferrara (PMDB). Aécio iniciou a campanha em terceiro lugar com 15% das intenções de votos, atrás de Ferrara e Patrus. As pesquisas de opinião pública do Datafolha não indicaram grandes mudanças ao longo da campanha, que encerrou com Patrus e Ferrara empatados tecnicamente na primeira colocação, enquanto Aécio atingiu novamente 15%. No primeiro turno, realizado em 3 de outubro, Patrus foi o mais votado com 326 mil votos, seguido por Campos com 184 mil e Aécio com 136 mil. Patrus derrotou Campos no segundo turno por uma diferença de 59–41%. Ainda em campanha para a prefeitura, em setembro de 1992, votou a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo.
Em meados de 1993, foi favorável à criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). No mesmo ano, foi escolhido o terceiro-secretário da mesa diretora, na época presidida por Inocêncio de Oliveira. No ano seguinte, participou em missão oficial da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e da Conferência Interparlamentar, realizada em Paris.
Sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte em 1992 fez com que passasse a ter mais visibilidade entre o eleitorado mineiro. Na eleição de 3 de outubro de 1994, foi reeleito com 105 mil votos. Nesta mesma eleição, os tucanos elegeram Eduardo Azeredo para o governo mineiro e Fernando Henrique Cardoso para a presidência.
Durante o governo de Itamar Franco (1992–1995), apoiou a redução do mandato presidencial de cinco para quatro anos. Em 1995, após a eleição e posse de Fernando Henrique Cardoso, votou a favor da emenda constitucional que permitiu uma reeleição consecutiva ao presidente, governadores e prefeitos.
Em 1996, foi eleito presidente do PSDB de Minas Gerais. Nesta posição, foi uma peça-chave para a eleição estadual de 1998, quando o partido tentou reeleger o governador Eduardo Azeredo, mas não obteve êxito. Naquela eleição, reelegeu-se para o seu quarto e último mandato como deputado federal com 185 mil votos, o terceiro mais votado do Estado e o mais votado do PSDB em todo o país.
Em 1997, candidatou-se a líder da bancada tucana na Câmara dos Deputados.[47] O cargo era ocupado por José Aníbal, deputado por São Paulo, e o deputado maranhense Jayme Santana contava com o apoio de Mario Covas, governador de São Paulo, e de José Serra, então ministro. Gradualmente, passou a conseguir apoio de políticos importantes, como Sérgio Motta, ministro das comunicações, de quatro governadores e do presidente FHC. Em 4 de março de 1997, em uma votação polarizada, obteve 45 dos 88 votos, ou 51,1% dos votos totais. Como líder do partido, manteve contato com outras lideranças, assessores e ministros do presidente da República.
Em 1999, após a desvalorização do Real e o aumento da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a bancada do PSDB, que originalmente foi eleita com cem deputados, sofreu perdas, patrocinadas principalmente pelo PMDB. Aécio então tentou somar forças com o Partido da Frente Liberal (PFL) e o Partido Trabalhista Brasileiro(PTB) para lançar um candidato contra Michel Temer (PMDB), que comandava a Câmara dos Deputados desde 1997. Entre os candidatos cogitados, almejava ser ele mesmo o escolhido do grupo. No entanto, o governo federal não queria enfrentar o PMDB, na época o maior partido da Câmara. Após um acordo, Temer foi reeleito para mais um mandato de dois anos. Aécio conseguiu reconquistar alguns parlamentares para o PSDB, que passou a ter 93 deputados; ele permaneceu como líder da bancada do PSDB até fevereiro de 2001.
Em agosto de 1999, encontrou-se com Covas para saber sua opinião sobre a possibilidade dele disputar a presidência da Câmara. Covas questionou se Aécio tinha unidade na bancada e disposição para enfrentar resistências no partido e no governo, e ele respondeu positivamente. Covas então afirmou que daria apoio a sua candidatura. O governador estava se referindo à candidatura de Inocêncio Oliveira (PFL-PE), que presidiu a Câmara entre 1993–1995 e liderava a bancada de seu partido pela quarta vez consecutiva. Severino Cavalcanti (PPB-PE), outro integrante da base governista, também pleiteava o cargo. Seu próprio partido estabeleceu dificuldades; os deputados Arthur Virgílio (AM) e Arnaldo Madeira (SP) não queriam criar atrito com o PFL, e Aloysio Nunes Ferreira também manifestou-se contrário à candidatura. Aécio concluiu que sua candidatura só teria êxito com o apoio do PMDB, que não tinha um candidato natural ao cargo; em um jantar de lideranças tucanas e peemedebistas, ficou acertado o apoio do PMDB a Aécio, e, em troca, o PSDB deveria votar em Jader Barbalho (PMDB-PA) para presidir o Senado Federal.
Depois do PSDB oficializar sua candidatura ao cargo de presidente da Câmara, passou a tentar angariar novos apoios e conseguiu os votos favoráveis do Partido Popular Socialista(PPS), o PTB e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Poucos dias antes da eleição, Severino Cavalcanti desistiu da disputa em troca de um cargo na mesa diretora.[71] A eleição passou então a ser disputada por Inocêncio, Aloizio Mercadante (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PL-SP) e Nelson Marquezelli (PTB-SP), que concorreu de forma avulsa. No primeiro turno, em 14 de fevereiro de 2001, logrou 283 votos, contra 117 de Inocêncio, 81 de Mercadante, 21 de Costa Neto e 3 de Marquezelli. Como recebeu 56% dos votos válidos, não precisou ocorrer um segundo turno. No Senado, Barbalho foi eleito com 50,5% dos votos, também em primeiro turno.
Aécio assumiu a presidência da Câmara no mesmo dia em que foi eleito, e tornou-se o primeiro mineiro eleito para este cargo em trinta anos. Em seus primeiros dias, apresentou algumas medidas para reduzir gastos e instituiu uma verba de gabinete, uma reivindicação antiga dos deputados que autorizou gastos com aluguel de escritórios nos estados que os parlamentares representam, o frete de veículos, a compra de passagens, além de outras despesas. Apesar do anúncio de corte de gastos no início do mandato, defendeu o investimento permanente em ações de divulgação da instituição e na realização de pesquisas de opinião pública sobre o trabalho dos deputados. Também empreendeu uma reforma administrativa, criou a ouvidoria parlamentar, e, para tornar o trabalho legislativo mais visível, criou um portal na internet. Durante seu primeiro ano de mandato, apresentou o "Pacote Ético", que, após ser aprovado pelo Congresso Nacional via Emenda Constitucional, acabou com a imunidade parlamentar para crimes comuns, e criou o Código de Ética e Decoro e a Comissão de Ética.
No final de maio de 2001, arquivou um pedido de impeachment por suposto crime de responsabilidade contra o presidente Fernando Henrique Cardoso apresentado pelos juristas Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo Dallari, Fábio Konder Comparato, Gofredo da Silva Teles Júnior e Paulo Bonavides.[78] O arquivamento foi criticado por membros da oposição, que defendiam que a aceitação do pedido fosse submetida à apreciação do plenário, da mesma forma que Michel Temer havia feito em 1999.
Como presidente da Câmara dos Deputados, era o segundo na linha de sucessão presidencial, atrás apenas do vice-presidente da República. Em junho de 2001, o presidente FHC e o vice-presidente Marco Maciel viajaram para a Bolívia, fazendo com que Aécio fosse o presidente em exercício entre 22 a 25 de junho. Dois meses antes, Maciel recusou um convite do presidente para viajar ao Canadá para evitar que Aécio assumisse a presidência, em protesto contra a derrota de Inocêncio.
Depois de presidir um dos poderes do país, Aécio não queria voltar a ser candidato a deputado federal. Ele preferia lançar-se ao Senado Federal ou ao governo mineiro na eleição de 2002. Com o partido abalado com a desistência de Tasso Jereissati a uma eventual candidatura presidencial, e seus posteriores conflitos com José Serra, além da morte de Covas (que antes era cogitado como um possível candidato), um movimento interno passou a testar Aécio como um eventual candidato à presidência da República.
Um grupo composto por setenta deputados do PSDB assinou uma lista de apoio a Aécio para a eleição de 2002, o que irritou profundamente Serra. No entanto, em entrevista à Dora Kramer, jornalista do Jornal do Brasil, declarou: "Se me dessem de graça e avisassem que a posse seria amanhã às 9h, eu não estaria lá. Tenho senso das coisas, nada do que aconteceu no último ano me fez tirar um milímetro os pés do chão, e sigo uma lição de família: na política, hoje você está lá em cima, assediado, amanhã sua única companhia pode ser o ostracismo." O candidato presidencial acabou sendo Serra, que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno por 61–39%.
Em novembro de 2001, os deputados estaduais e federais do PSDB mineiro escolheram Aécio para disputar o governo do Estado na eleição de 2002. O plano eleitoral de Aécio, no entanto, era o de candidatar-se ao Senado Federal em 2002, e, posteriormente, tentar ser o presidente do Senado. Em junho de 2002, o governador Itamar Franco desistiu de concorrer à reeleição. Itamar não quis disputar a vaga de candidato do PMDB com Newton Cardoso. Após a desistência de Itamar, Aécio decidiu candidatar-se ao governo. Itamar desfiliou-se do PMDB e contou a Patrus Ananias, do PT, que gostaria de apoiar-lhe na eleição para governador. Patrus afirmou ao governador que não seria candidato, uma vez que apoiava o deputado federal Nilmário Miranda. Em 18 de junho de 2002, Itamar declarou apoio à candidatura de Aécio, sua segunda opção.
Aécio recebeu o apoio formal de um total de nove partidos políticos, que formaram a coligação "Minas Unida". Clésio Andrade, do PFL, e então presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), foi o candidato a vice-governador. Desde o início oficial da campanha, em julho, Aécio liderou todas as pesquisas realizadas pelo Datafolha, Sensus e Ibope. Aécio também tinha os menores índices de rejeição e nas projeções de segundo turno venceria Nilmário e Newton. Nas últimas semanas da campanha, as pesquisas indicavam sua vitória no primeiro turno, chegando aos 61% na pesquisa do Datafolha realizada na véspera da eleição.
Em 6 de outubro, foi eleito governador com 5 282 043 votos (57,68%), a maior votação da história do Estado até então. Nilmário ficou em segundo lugar, com 2 813 857 votos (30,73%), seguido por Newton Cardoso, que recebeu 612 732 votos (6,69%). Os outros candidatos obtiveram cerca de 5% dos votos.
Em 28 de março de 2006, Aécio anunciou sua candidatura à reeleição. Ele disse que levaria adiante um projeto nacional que visaria um maior "equilíbrio na federação", declarando que "esse movimento pelo equilíbrio da federação vai ficar muito forte, vai desaguar no Estado que estiver mais unido. Temos agora a unidade histórica de Minas, que vai tentar exercer um papel de liderança. Não sei onde isso vai desaguar, vamos ver quem estará mais forte".
Desde o início da campanha, devido a sua alta popularidade, Aécio foi considerado um candidato "quase imbatível". A coligação de Aécio recebeu o nome de "Minas Não Pode Parar" e foi composta por dez partidos, e teve como candidato a vice-governador Antonio Anastasia, também do PSDB. Ele recebeu o apoio do ex-presidente Itamar Franco, de artistas como Fafá de Belém e músicos do Skank e do Jota Quest.
Aécio visitou 53 municípios durante a campanha, mas não compareceu a debates. A sua vitória no primeiro turno já era dada como certa por muitos analistas políticos, mesmo antes dele atingir a faixa dos setenta por cento das intenções de votos. Ele manteve um bom relacionamento com as lideranças petistas, principalmente com o presidente Lula e com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Isso fez com que denúncias de corrupção fossem ignoradas durante a campanha. Apesar disso, o candidato petista declarou várias vezes que o déficit zero era uma "farsa".
Na votação realizada em 1º de outubro, Aécio foi reeleito governador de Minas Gerais com 7 482 809 de votos (73,03%), seguido por Nilmário Miranda, que obteve 2 140 373 votos (22,03%). Ele alcançou a segunda maior votação percentual do país para o cargo, sendo superado apenas por Paulo Hartung. Na eleição presidencial, Aécio apoiou Geraldo Alckmin, que não foi eleito presidente e perdeu para Lula em Minas Gerais nos dois
Em 1º de janeiro de 2003, Aécio tomou posse como governador de Minas Gerais, sucedendo Itamar Franco. Aécio Neves foi reeleito governador de Minas Gerais em 2006, e tomou posse em 1º de janeiro de 2007. Permaneceu no cargo até 31 de março de 2010, quando renunciou para se candidatar a uma vaga no senado. Foi sucedido pelo vice-governador Antônio Anastasia. Ao todo, ficou 7 anos, 2 meses e 30 dias no cargo, tornando-se o governador a permanecer mais tempo no Palácio da Liberdade.
Em 31 de março de 2010, Aécio renunciou ao cargo de governador para poder concorrer ao Senado Federal. Foi eleito em 3 de outubro do mesmo ano com 7 565 377 votos (39,47%), juntamente com o ex-presidente Itamar Franco. Aécio foi o terceiro senador mais votado em 2010, sendo superado apenas por Aloísio Nunes e Marta Suplicy, eleitos por São Paulo. Foi o sexto proporcionalmente mais votado do país. Ele também conseguiu eleger o seu sucessor para o governo de Minas Gerais, Antônio Anastasia.
Como parlamentar, tem defendido a elaboração de um novo pacto federativo; o fortalecimento da ação parlamentar, com a restrição ao uso das medidas provisórias; a redução de impostos; transformar o Bolsa Família em uma política de Estado; a ampliação dos direitos dos trabalhadores domésticos; o direcionamento de 10% da receita do governo federal para a área de saúde; a mudança no cálculo usado para pagamento dos royalties da mineração. Dentre sua iniciativa, está a articulação de um acordo suprapartidário para fortalecer o Poder Legislativo e alterar as normas para edição e tramitação de medidas provisórias (MPs) no Congresso Nacional.
Aécio faz oposição ao governo de Dilma Rousseff, juntamente com nomes expressivos da política nacional, como Cássio Cunha Lima, Álvaro Dias, Aloysio Nunes Ferreira, Pedro Simon, Randolfe Rodrigues, Pedro Taques e outros. Em abril de 2011, apontou os "Caminhos da Oposição" e definiu três pilares no papel da oposição: ''coragem, responsabilidade e ética''. Em 21 de fevereiro de 2013, no mesmo dia em que o Partido dos Trabalhadores fez um ato comemorando os seus dez anos no governo federal, ele fez um discurso no Senado Federal enumerando os "13 fracassos" do partido durante os dez anos de gestão.
Em 18 de junho de 2015, fez parte de uma comitiva de senadores brasileiros que esteve em Caracas, para visitar o preso político Leopoldo López e tomar ciência da real situação da Venezuela, mas o grupo foi hostilizado por manifestantes pró-governo e retornou ao Brasil sem conseguir cumprir seus compromissos. Os senadores atendiam ao apelo feito pelas venezuelanas Roza Orozco (mãe deGeraldine Moreno, manifestante assassinada por um integrante da Guarda Nacional Bolivariana), Mitzy Capriles e Lilian Tintori (esposas dos presos políticosAntonio Ledezma e Leopoldo López) que estiveram diante da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado Federal do Brasil em 7 de maio de 2015, ocasião em que denunciaram o regime do presidente Nicolás Maduro como uma ditadura. As três apelaram por ajuda do Brasil aos presos políticos de seu país. Em mensagem pessoal a Lilian Tintori, o vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza zombou da presença dos senadores brasileiros no país. O governo da Venezuela negou ter interferido na tentativa de visita e afirmou que o objetivo da comitiva brasileira era "desestabilizar a democracia venezuelana e gerar confusão e conflito entre países irmãos". No mesmo dia do incidente, a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou uma moção de reprovação aos fatos ocorridos em Caracas, quando os senadores brasileiros foram recebidos com hostilidade. Declarou que o incidente em Caracas foi inadmissível e que a oposição exigiria um posicionamento duro do governo brasileiro sobre o ocorrido. Afirmou: "Nós vamos, do ponto de vista político, congressualmente fazer as retaliações necessárias".
Em dezembro de 2012, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lançou Aécio como pré-candidato do PSDB à presidência em 2014. Como na eleição de 2010, José Serra e Aécio travaram uma disputa interna pelo apoio do partido pela candidatura à presidência. Com a desistência de Serra em dezembro de 2013, Aécio tornou-se o único pré-candidato do partido. Ele foi oficializado como candidato em 14 de junho, durante a Convenção Nacional do PSDB. Seu candidato a vice foi anunciado em 30 de junho, sendo escolhido Aloysio Nunes, senador por São Paulo.
Aécio divulgou durante a campanha as seguintes propostas: recuperação da credibilidade financeira do país com a melhoria no ambiente de negócios e aumento da produtividade; reduzir o número de ministérios; aumento da eficiência e planejamento no setor público através de choque de gestão; a manutenção e melhoria de programas como Bolsa-Família e Mais Médicos; o combate pleno a corrupção e compromisso com a ética pública; educação de qualidade como direito básico de cidadania; segurança pública como responsabilidade nacional; mais autonomia para estados e municípios; retomada de pautas ligadas a preservação do meio ambiente e sustentabilidade; e reforma tributária. Também comprometeu-se a encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta de reforma política com fim da reeleição, mandatos de cinco anos, fim do voto de legenda e instituição do voto distrital.
Em 5 de outubro de 2014, Aécio foi para o segundo turno após obter 34,8 milhões de votos, cerca de 33,5%. No segundo turno, realizado em 26 de outubro, Aécio foi derrotado por Dilma Rousseff (PT). O tucano obteve 51 038 023 votos, cerca de 48,36% dos válidos, enquanto a petista conseguiu 54 501 118 votos, menos de 3,5 milhões de diferença. A eleição ficou marcada por ser a mais acirrada da história.